“O ano só começa depois do Carnaval” pode custar caro: especialista alerta para riscos na gestão dos negócios

19 de fevereiro de 2026 às 11:25

Adiar decisões, planejamento e metas para depois do feriado pode gerar perda de vendas, desorganização financeira e atraso estratégico. Mentor e consultor Israel Rodrigues reforça: “Empresa que espera o calendário andar, entrega espaço para a concorrência”.

A frase popular “o ano só começa depois do Carnaval” faz parte da cultura brasileira — mas quando ela vira mentalidade dentro da empresa, pode se transformar em um erro estratégico. Especialistas em gestão e performance empresarial alertam que postergar decisões importantes, planejamento financeiro e execução de metas para “depois do feriado” pode comprometer o caixa, reduzir oportunidades comerciais e enfraquecer o posicionamento do negócio logo no início do ano.

De acordo com o mentor e consultor de negócios Israel Rodrigues, o problema não é o Carnaval em si, mas a falta de ritmo e organização que muitos empresários acabam aceitando como normal.

“O mercado não para. O concorrente não para. O cliente continua comprando. Quando o empresário decide ‘começar depois’, ele está deixando o negócio em modo espera — e isso custa dinheiro”, afirma Israel Rodrigues.

Principais riscos para empresários
O primeiro grande risco é perder o timing comercial. O início do ano costuma ser um período de retomada de consumo, planejamento de contratos, reestruturações e novas decisões por parte do cliente. Empresas que não se movimentam nesse momento tendem a ficar para trás e gastar mais energia depois para recuperar terreno.

Outro impacto comum é a desorganização financeira. Sem um plano claro de receitas, despesas e metas, o empresário pode entrar em fevereiro e março sem previsibilidade de caixa, acumulando custos fixos e tomando decisões no improviso — o que aumenta a chance de endividamento e desperdícios.

Além disso, adiar o início do planejamento pode afetar diretamente a equipe, criando uma cultura interna de procrastinação e baixa performance.

“Quando o empresário passa a mensagem de que o ano ainda não começou, a empresa inteira desacelera. E depois é muito mais difícil cobrar resultado e produtividade”, reforça Israel.

O que fazer se você “esperou o Carnaval” para retomar a gestão
Para os empresários que se identificam com esse cenário, Israel Rodrigues destaca que o mais importante é retomar o controle imediatamente, com ações simples e objetivas, sem tentar “recuperar tudo de uma vez”.

A primeira medida é redefinir metas realistas para o trimestre, com foco em resultado e caixa. Em seguida, é essencial montar um plano de execução com prioridades claras: o que é urgente, o que é importante e o que pode ser adiado.

“Não adianta voltar querendo resolver o ano inteiro em uma semana. O certo é organizar o básico, olhar os números e colocar o negócio em ritmo novamente”, orienta.

Outra ação recomendada é criar uma rotina mínima de gestão: um dia fixo na semana para revisar indicadores como vendas, margem, despesas, caixa e conversão. Isso evita que as decisões continuem sendo tomadas no “achismo” e reduz o risco de novos atrasos.

Por fim, Israel reforça que o empresário deve aproveitar esse momento para alinhar a equipe e retomar o senso de direção.

“O que faz o negócio crescer não é motivação pós-feriado. É constância, processo e acompanhamento. O ano começa quando a gestão começa”, conclui.

Gestão não depende do calendário
Para Israel Rodrigues, negócios bem geridos não funcionam por “datas simbólicas”, mas por processos, indicadores e rotina. O ideal é iniciar o ano com objetivos claros, acompanhamento semanal de números e decisões baseadas em dados — não em sensação.

“A empresa precisa de direção desde o primeiro dia. Quem começa cedo, ajusta mais rápido. Quem começa tarde, corre atrás do prejuízo”, finaliza.